

Uma história simbólica sobre libertação de padrões familiares, responsabilidade pessoal e a coragem de viver a própria vida com consciência e amor.
Estrela encontrava-se no palco de um teatro.
Vestia a personagem daquele elenco, mas algo dentro dela já não encaixava.
A cada representação, surgia a dúvida silenciosa:
Estarei mesmo a fazer o que é certo para mim?
Na telenovela da sua própria vida, percebia-se dependente das expectativas, opiniões e reacções dos que a rodeavam.
E sempre que surgia a dúvida, sentia-se mais presa — como se o coração se enredasse numa teia invisível que apertava e sufocava.
Estrela parou.
Respirou.
E decidiu olhar para trás.
Percebeu que, em criança, adquiriu padrões que a marcaram profundamente — formas de pensar, sentir e agir que acreditou serem imutáveis.
Mas algo novo emergiu nessa retrospectiva:
Esses padrões pertenciam a uma fase em que ela ainda não se podia cuidar sozinha.
Naquele tempo, depender dos progenitores era necessário à sobrevivência.
E os padrões que recebeu não eram sentenças — eram referências.
Nem tudo o que recebemos precisa de ser levado para sempre.

Estrela viu, com clareza, que os pais lhe tinham transmitido esses padrões para que, um dia, pudesse discernir:
Quais a faziam sentir-se bem
Quais já não serviam a sua verdade
Quais podia agradecer… e libertar
Percebeu então algo essencial:
Alguns padrões já não lhe faziam bem.
E ela podia escolher outros.
E foi aí que o medo apareceu.
O medo não era simples. Era múltiplo:
Medo de não saber quais os padrões certos
Medo das consequências das suas escolhas
Medo de desiludir os pais
Medo de ser diferente
Medo… dela própria
E este último deixou-a imóvel.
Medo de mim? — pensou.
O momento em que a pergunta certa muda tudo.

Diante do espelho, Estrela ousou perguntar:
Quem Sou Eu?
Depois de muito silêncio, algo respondeu dentro dela — não como pensamento, mas como verdade sentida:
Eu sou um Ser de Amor.
E então tudo começou a reorganizar-se.
Como ter medo do amor?
Como não gostar do que se é, quando se é amor?
Mas havia ainda uma voz antiga…
Lá no fundo, Estrela lembrou-se de ouvir:
“Tu não mereces…”
O corpo estremeceu.
Não apenas pela dor da injustiça, mas pela revolta consciente de já não querer carregar isso consigo.
Era tempo de devolver o que não lhe pertencia.
Quando a consciência ilumina o que estava oculto.

Diante do espelho, Estrela afirmou — com presença e responsabilidade:
EU SOU AMOR
EU AGORA DECIDO POR MIM, POIS JÁ SOU ADULTA
EU AGORA CRIO A MINHA REALIDADE
EU LEMBREI-ME DO QUE VIM CÁ FAZER
E reconheceu, com maturidade:
Veio viver a sua vida
Não a vida dos pais
Nem do companheiro
Nem dos filhos
A vida dela é da sua responsabilidade.
Estrela levantou-se.
Endireitou-se.
Respirou fundo.
Sentiu o peito encher-se de luz.
Ela escolheu.
Ela agiu.
Ela aceitou as consequências.
E, pela primeira vez, não como rebeldia, mas como alinhamento:
Estava a seguir o guião da sua Alma.
Agora, Estrela era ela própria.
Agora, Estrela era Luz.
Ser quem és é um acto de consciência.

Grata Por Estares Aqui e Agora no Caminho da Luz.
Autor | Maria João Franca

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