

Uma parábola sobre transformação interior, coragem e foco. Um sonho simbólico que nos convida a parar, olhar para dentro, romper limitações e descobrir a luz que nos permite ascender a uma nova consciência.
Estava num sítio escuro e sentia-me apertada.
Confusa, e sem perceber onde estava, percorria a minha mente, desesperada, sem conseguir mexer-me e procurando uma saída confortável.
Para cada lado que me movia, tudo parecia mais negro do que o sítio onde estava. Percorria vezes sem conta os mesmos recantos sem nunca perceber que eram os mesmos, pois estes encontravam-se diferentes de tanto os alisar para conseguir sair.
Até que … decidi parar.
Precisava de me restabelecer. Precisava de olhar e ver com clareza e discernimento onde estava.
Mas tudo continuava muito escuro. Ali fiquei, quieta, até perder noção do tempo; a absorver e integrar, a restabelecer contacto comigo mesma.
Penso que até adormeci dentro do sonho.
Quando andamos às voltas dentro de nós, a escuridão parece aumentar.

Quando voltei a mim, sentia-me calma, objectiva e focada.
Percebi que andar às voltas não ia adiantar, até porque o meu corpo tinha-se restaurado e fortalecido de tal forma que aquele sítio estava mais apertado do que nunca.
Eu tinha de sair dali.
Então, foquei-me num ponto à minha frente e com as minhas patitas comecei a escavar e com os meus dentes comecei a roer as cordas que me envolviam e prendiam naquele casulo.
O emaranhado era imenso. De tanto andar às voltas tinha ficado ainda mais embaraçado. Compreendi então que quanto mais me focasse num ponto de saída mais hipóteses tinha de ter sucesso.
E a minha mente só pensava em afastar as teias e cortá-las.
Era um trabalho difícil pois a escuridão impedia-me de trabalhar rápido.
Até que comecei a ver uma luzinha no meio da escavação. Essa luzinha trouxe-me uma alegria imensa, uma esperança, uma força para eu continuar a escavar.
Sentia que já não estava sozinha, sentia que naquela Luz haveria outras como eu.
Embora eu até já nem me lembrasse quem era, depois de estar tanto tempo às escuras.
O foco na acção consciente desperta a força para a transformação

E continuei a escavar, cortar, abrir caminho com mais entusiasmo. Até que já consegui ver o que estava lá fora.
Lá fora havia uma luz muito intensa, quente, acolhedora, que me dava ainda mais vontade de sair dali depressa. Mas o meu corpo era muito grande para aquele orifício ainda tão pequeno. Então comecei a espernear, a espremer-me com toda a força… mas mais uma vez, precisei de parar. Precisei de voltar a restabelecer-me, precisei de voltar a acalmar-me e focar-me no que eu queria para mim.
Eu queria sair dali, queria abrir o buraco para o meu corpo conseguir sair. E voltei a focar-me, a afastar as teias, e cortar, cortar, cortar.
Até que, finalmente já tinha uma abertura considerável, já conseguia sair.
Com muita calma, comecei a afastar as bordas desse orifício e rastejei para fora.
A luz era imensa e precisei ficar ali um bom tempo para que os meus olhos se habituassem aquela enorme claridade. E voltei a ter necessidade de me focar em mim, no que eu queria.
Eu queria sair dali, ir explorar o mundo. Voltei a fechar os olhos centrando-me e fortalecendo-me. Sentia o meu corpo a desenrugar, as minhas asas a desenrolarem-se, e a minha mente a descobrir quem eu era.
Afinal, eu não me reconhecia como antigamente. Até porque já tinha dificuldade em me lembrar de quem era eu.
E voltei aquele momento. Já tinha as pernas esticadas, as asas bem abertas e comecei a mexê-las suavemente. Nessa altura já com os meus olhos totalmente habituados à luz, olhei para a minha frente.
Sair para a luz também exige tempo para integrar.

E fiquei extasiada.
O mundo tinha umas cores que nunca tinha visto.
Fiquei ali muito tempo, a desfrutar da paisagem, a desfrutar de mim mesma.
Tinha conseguido sair do buraco escuro. Tinha conseguido abrir caminho para a Luz. Tinha conseguido ASCENDER.
Tudo o que me rodeava parecia não ter tanta importância como o que eu sentia por mim.
Orgulhosa de mim mesma, grata por não ter desistido, vitoriosa por ter alcançado.
Alcançado?
Bom, agora é uma nova etapa, agora é uma nova viagem.
Uma viagem com um EU mais seguro de Mim mesma, num mundo mais cheio de Luz do que aquele onde tinha estado.
Olhei o alto e disse: “Vamos ver onde me levam as minhas asas”
E bati as asas.
Só as tuas asas te podem levar até onde a tua alma deseja voar.

Grata Por Estares Aqui e Agora no Caminho da Luz. Estas são as notas, ideias e reflexões sobre as mensagens do meu sonho.
O sonho representa as vidas que levámos até agora.
Muitas vezes tivemos que parar para retomar o fôlego, para “voltar a vir” noutra personagem, até mesmo nesta vida. Até mesmo nesta vida.
Quantas vezes, já renasceste nesta vida, neste corpo?
Não te deste conta porque a escuridão era muita e não te reconhecias.
Agora está na hora de uma nova caminhada, numa nova forma de vida, numa Luz que nunca tinhas visto.
Agora estamos numa nova etapa, estamos a sair de um casulo onde vivemos muitas vidas, onde fomos muitas personagens. Lembra-te do que aprendeste, foca-te em ti mesmo, pois só assim poderás crescer e voar bem alto.
Não podemos esperar que os outros cortem as teias do casulo, elas podem cortar as nossas asas e magoar o nosso corpo.
Não podemos ficar fortes sem nos esforçarmos. Ninguém pode tornar-te forte, tens de ser tu. Por ti!
E por fim, para que tu possas desfrutar do voo, ninguém pode levar-te nas suas asas.
Só as tuas asas poderão elevar-te para voares até onde tu queres.
Voa!
Esta parábola tem muitas referências à vida que levamos .
No nosso dia-a-dia, temos pensamentos que nos desesperam, e na sua maior parte ficamos inertes e sem agirmos, ou então procuramos uma solução confortável.
Mesmo sabendo que muitas vezes é no desconfortável que crescemos e conseguimos ter novas saídas. Quando andamos às voltas, bloqueamos, escurecendo ainda mais o nosso discernimento, e ficando ainda menos claros a resolução das nossas questões. .
Quando escolhemos serenar, meditar, restabelecemos contacto com o divino e chegam até nós as soluções. O foco e a acção são as aprendizagens que nos levam para a frente. Não nos lembramos quem Somos, nem quem escolhemos ser noutras vidas. Até mesmo nesta vida, temos dificuldade em nos lembrar de como éramos. Há 10 anos, há 5 anos, ontem. Só nos lembramos quem hoje escolhemos Ser, só nos focamos em ser mais LUZ.
Muitas vezes voltamos atrás, e desesperamos já depois de trabalharmos na serenidade. E voltamos a caminhar com mais foco, com mais determinação, e ainda mais foco. Quando nos encontramos num novo patamar de evolução é necessário integrar. Quantas vezes sentimos já não ser mais a mesma, mas não sabemos quem realmente Somos?
Admira-te, admira a tua vida, olha com doçura as novas cores da tua nova consciência.
Querida Estrelinha, tu és maravilhosa, poderosa, grandiosa.
Só os mais valentes conseguem lá chegar.
Autor | Maria João Franca

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